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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A Baía das Bombas


Vida Brasileira

Na Baía de Todos-os-Santos, que banha Salvador e
outros treze municípios, a prática de usar dinamite para
capturar peixes e crustáceos é uma banalidade


Leonardo Coutinho, de Salinas da Margarida

Fernando Vivas


Só ficaram as cascas
O impacto das explosões, como a vista dentro do círculo branco da foto abaixo, liquidou a criação de ostras de Josail de Almeida

Nilton Souza


Existe no Brasil uma "técnica de pesca" bastante peculiar – a que lança mão de explosivos. É isso mesmo que você leu: o energúmeno joga na água dinamite em quantidade suficiente para aniquilar qualquer forma de vida marinha em um raio de até 250 metros , e chama essa depredação de pesca. Os peixes, crustáceos e moluscos mais próximos de onde a bomba foi lançada são estilhaçados e, por isso, desprezados. São recolhidos apenas os espécimes mortos pela onda de energia produzida pela explosão. Apesar de eles terem as espinhas trituradas e as vísceras dilaceradas pelo impacto, o aspecto pastoso não impede sua comercializaçã o. Como se não bastasse a selvageria da matança, no local onde os explosivos são arremessados, os recifes de corais dão lugar a crateras. Os primeiros registros do uso de bombas na pesca remontam a meados do século XIX. Cem anos depois, a prática continuava em voga no litoral do Rio de Janeiro (o atacante Garrincha, por exemplo, era um adepto desse tipo de "pescaria"). Ela só foi considerada crime em 1967. Quem a emprega pode ser punido com até cinco anos de cadeia. A edição da lei não impediu que explosivos continuassem a ser usados na costa brasileira.

O absurdo, porém, atinge proporções épicas na Baía de Todos-os-Santos, que banha Salvador e outros treze municípios. A coisa tornou-se corriqueira a ponto de dar nome a uma profissão: a de bombista. Os moradores de três dessas cidades baianas relatam que ouvem, pelo menos, vinte explosões por dia. Na verdade, cada bombista chega a lançar na água até dez petardos diariamente. A devastação causada pelas detonações é tão grande que, antes abundantes, as lagostas praticamente desapareceram da Baía de Todos-os-Santos. Em duas décadas, os cardumes de tainhas foram reduzidos à metade. "A pesca com explosivos causou danos irreparáveis à baía, porque destruiu as áreas de reprodução da fauna marinha", diz o biólogo Everaldo Queiroz , da Universidade Federal da Bahia.

As bombas doem nos ouvidos, no coração e também no bolso. Na década de 80, um pescador de anzol e rede obtinha, em média, 50 quilos de peixe por dia de trabalho. Hoje, apanha apenas 10 quilos. Quanto aos bombistas, há vinte anos eles conseguiam até 100 quilos de peixe por dia. Agora, auferem metade disso. "Está cada vez mais difícil viver da pesca", diz o maricultor Josail de Almeida, um ex-bombista que tenta se reabilitar criando ostras. Ele relata que 90% de seu plantel de mariscos morreu nos últimos dois meses afetado pelas ondas de choque provocadas pelas explosões.

No Brasil, o simples porte de bombas é considerado crime. A venda de explosivos no país é controlada pelo Exército. Mas, em Salvador, o comércio de dinamite, desviada de pedreiras da cidade, ocorre à luz do dia nos bairros do Subúrbio Ferroviário. Os bombistas utilizam, ainda, uma forma artesanal de dinamite, feita com a pólvora de rojões. Os energúmenos a embrulham em pacotes de papelão usados para embalar cimento e inserem nela pavios que não se apagam na água. Como os explosivos são confeccionados e manipulados por amadores, os acidentes são frequentes. Aos 21 anos, Almerindo Miranda perdeu o emprego e resolveu recorrer a bombas para sustentar a família. Uma delas estourou em sua mão no momento em que ele a lançava. Miranda perdeu o antebraço e a audição e, agora, exibe cicatrizes no rosto e no abdômen. "Cometi esse erro há 25 anos e pago até hoje o preço pelo que fiz", diz.

(fonte: http://veja.abril.com.br/110309/p_118.shtml)

Alvaro Meirelles
Biólogo (CRBio 59.479/05-D) e Gestor Ambiental
www.grupomeirelles.com

quarta-feira, 19 de março de 2008

Cartão postal Baiano sofre com vazamento de óleo lubrificante ocorrido no Porto de Aratu


Vazamento de óleo ocorrido no Porto de Aratu
Parte 2

(Foto: João Alvarez/Ag. A Tarde/AE)


Porto de Aratu

Empresa norueguesa pode ser multada em 90 dias pelo CRA

A empresa norueguesa, dona do navio NCC Jubail, que derramou óleo no Porto de Aratu no último domingo, 16, deverá pagar multa entre R$ 7 mil a R$ 50 milhões. Este valor será definido pelo Centro de Recursos Ambientais (CRA) após a avaliação do impacto ambiental causado pelo acidente, no prazo de 90 dias, quando sai o laudo da Capitania dos Portos. No sábado, 15, o navio, que estava a serviço da Agência Marítima Granel, se chocou com o delfin de amarração no Porto de Aratu, na Baía de Todos os Santos. Esse choque danificou a lateral do casco da embarcação e resultou no derramamento de cinco mil litros de óleo lubrificante no mar.


Logo após o acidente, técnicos da empresa Hidroclean Proteção Ambiental iniciaram a operação de limpeza utilizando barreiras, mantas absorventes e bomba de sucção. Essa ação rápida impediu que houvesse dano maior ao meio ambiente. Até a manhã desta terça (18) mais de três, dos cinco mil litros de óleo derramados já haviam sido coletados. Os técnicos do CRA estão acompanhando toda a operação de limpeza e coleta do material, desde os primeiros momentos.
As áreas próximas ao porto também foram inspecionadas pelo CRA. Por volta das sete horas da manhã de segunda-feira (17), foi identificada uma mancha próximo a Bananeiras, na Ilha de Maré. A empresa responsável pela limpeza foi acionada imediatamente para efetuar ação de contenção e recolhimento.

Na tarde desta terça-feira, técnicos do CRA sobrevoaram a região, coletaram amostras e constataram que não existem manchas no Porto de Aratu, local do acidente, nem próximo à Praia de Bananeiras, na Ilha de Maré.
Fonte: Ascom/CRA

(www.seia.ba.gov.br/noticias.cfm?idnoticia=3982)


Pela Band News as informações foram noticiadas assim:


17/03/2008 - 11h26Navio norueguês derrama 5 mil litros de óleo na Baía de Aratu
Gabriel NoronhaEspecial para o UOLEm Salvador (Bahia)

Atualizada às 14h15A


Secretaria do Meio Ambiente da Bahia já recuperou 80% dos 5 mil litros de óleo lubrificante que foram derrubados por um navio de bandeira norueguesa no Porto de Aratu, no município de Candeias, a 46 km de Salvador. Parte do óleo derramado ainda permanece próxima à ilha da Maré e os técnicos e ambientalistas tentam evitar que atinja a terra. O acidente ocorreu no final da noite de sábado, quando o navio NCC Jupail bateu em um píer de amarração durante manobra no porto. O navio levava óleo lubrificante e materiais utilizados no refino de petróleo e tinha como destino a cidade de Amsterdã, na Holanda. O choque abriu um rombo de três metros no casco da embarcação, por onde vazaram os 5 mil litros de óleo. A Capitania dos Portos abriu um inquérito para apurar as razões do acidente.


Na manhã desta segunda-feira, técnicos do Centro de Recursos Ambientais (CRA) haviam sobrevoado a Baía de Todos os Santos para avaliar as conseqüências do derramamento os de óleo lubrificante , de bandeira norueguesa, que bateu no Porto de Aratu
Choque contra o píer abriu buraco no casco do navio norueguês NCC JubailNa manhã desta segunda-feira, técnicos do Centro de Recursos Ambientais (CRA) haviam sobrevoado a Baía de Todos os Santos para avaliar as conseqüências do derramamento os de óleo lubrificante , de bandeira norueguesa, que bateu no Porto de Aratu.A diretora-geral do CRA, Beth Wagner, declarou que uma mancha de óleo atingiu a praia de Bananeira, na Ilha de Marés, que pertence ao município de Salvador. "Ainda não sabemos a origem do óleo mas acreditamos que seja deste mesmo navio", disse após sobrevoar a região de helicóptero.Segundo a diretora do CRA, a mancha que atingiu a praia de Bananeira corresponde a 30% de outra mancha, que está represada no píer do Porto de Aratu, localizado na região nordeste da Baía de Todos os Santos. No total, 20 km² foram atingidos. O navio foi cercado por barras de proteção para evitar que o material se espalhasse, e 11 técnicos em segurança ambiental usaram mantas para absorver o óleo e bombeá-lo para dentro de tonéis. "A princípio, a mancha não atingiu praias e manguezais, mas ela estava se deslocando em direção à Ilha de Maré, que fica dentro da Baía de Aratu. Uma equipe de atendimento está indo para lá para analisar a situação", disse Cíntia Levita, coordenadora de emergências do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) na Bahia. O óleo derramado causou um impacto visual negativo muito grande. "É um volume considerável de óleo que está recobrindo a lâmina d'água. A extensão da mancha é grande, e o tempo não está contribuindo. Está chovendo e ventando muito na Bahia, o que favorece o espalhamento", afirmou Cíntia. De acordo com a analista ambiental, no entanto, a pequena intensidade das ondulações no local do acidente pode favorecer o trabalho de limpeza da água. "Podemos colocar as barreiras e conter o espalhamento desse produto para podermos absorvê-lo depois", afirmou.


Com a colisão, o navio sofreu danos no sistema de propulsão e está sem condições de se locomover. Segundo o CRA, a Agência Marítima Granel será responsabilizada pelos danos e pode receber multa diária de R$ 5 mil a R$ 50 milhões.O gerente da empresa, Israel Vasconcelos, informou que o navio sofreu um rombo de três metros de diâmetro no casco e que a embarcação deve ser descarregada completamente em Aratu para execução dos reparos. Ele disse que a operação é segura e não provocará novo derramamento. A Granel irá apurar a responsabilidade pelo acidente antes de se pronunciar oficialmente sobre o caso.O inquérito administrativo aberto pela Capitania dos Portos para apurar as causas do acidente só deve ser concluído em 90 dias. Já o Ibama fará uma visita ao porto ainda nesta segunda-feira para verificar as condições em que foi realizada a operação que causou o acidente. O Porto de Aratu não tem licença ambiental válida, mas está em processo de regularização junto ao órgão. Com informações da Agência Estado


(http://noticias.uol.com.br/ultnot/2008/03/17/ult23u1504.jhtm)

Ilha de Maré – A diretora do CRA, Beth Wagner, explicou que a área do vazamento em torno do navio já está controlada, mas admitiu que em Ilha de Maré a mancha chegou à praia. “Felizmente não se espalhou para a área de manguezais, que existe em torno da ilha, o que seria um dano ainda maior”, disse. Beth explicou, ainda, que junto com a Capitania dos Portos estuda a aplicação de multa que pode chegar a R$ 50 milhões por mês.

O encarregado de operações do Porto de Aratu, Paulo Marcelo dos Santos, explicou que, com o acidente, o movimento no Porto de Aratu fica prejudicado. O porto recebe, em média, cinco navios por dia, a maioria deles vem buscar produtos petroquímicos e derivados de petróleo exportados pelo Pólo Petroquímico de Camaçaçari. São cinco píeres de atracação, dos quais dois são para derivados líquidos, dois de produtos sólidos e um de produtos gasosos químicos.

Imperícia – Segundo operadores portuários em Aratu, o navio se preparava para deixar o porto, em uma manobra de ré, quando colidiu com um dos píeres de atracação do lado direito da embarcação. O navio chegou ainda a avançar alguns metros em direção ao largo do Porto, o que provocou o derrame de óleo hidráulico, que movimenta as máquinas. Além do rombo de mais de três metros de diâmetro, a lateral do navio ficou avariada com o impacto, indicando que, na hora da colisão, ele não parou de imediato. “Isso pode ter sido determinante para o fato de que parte dos cinco mil litros de óleo tenha vazado além das bóias de proteção que foram colocadas em redor da embarcação, avançando em direção à Ilha da Maré”, disse o coordenador de operações Paulo Marcelo Santos.

(http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=853282)

Como podemos ver existem algumas contradições, mas também existem algumas certezas como a de que temos um grande volume de substância oleosa nas águas da BTS, o que se traduz em Impacto Ambiental Negativo e de consequências como: morte de exemplares da fauna marinha (seja por intoxicação ou diminuição do oxigênio dissolvido na água) dentre estes podemos citar mamíferos marinhos, répteis, peixes, moluscos, crustáceos, corais entre outros, vale lembrar a preocupação com as aves que dependem do ecossistema marinho (talassociclo) para sua alimentação. Sem contar com os efeitos secundários verificados em maior prazo como biocumulação de elementos ao longo das cadeias e teias alimentares o que pode afetar a própria população humana (nem mais nem menos importante) através da ingestão de alimentos contaminados.


Alvaro Meirelles
Biólogo (CRBio 59.479/05-D) e Gestor Ambiental
http://www.grupomeirelles.com/

segunda-feira, 17 de março de 2008

Cartão postal Baiano sofre com vazamentode óleo lubrificante ocorrido no Porto de Aratu

Cartão postal Baiano sofre com vazamentode óleo lubrificante
Parte 1


A baía de Todos os Santos (BTS), localizada no Recôncavo Baiano, é a maior baía navegável do Brasil. Com aproximadamente 450 km de extensão, sua orla é recoberta por extenso manguezal e sedimentos recentes. No estudo desenvolvido para avaliar a possibilidade do impacto ambiental crônico induzido pelos 50 anos de exposição do local à indústria do petróleo. Hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) provenientes de fonte pirolítica foram identificados e quantificados.... As mais altas concentrações de HPAs foram encontradas nos portos e nas áreas de transporte. Todavia as concentrações de HPAs pirolíticos foram comparáveis com aquelas de zonas contaminadas (áreas da refinaria e de extração). No geral, os sítios de amostragem na baía de Todos os Santos foram contaminados, devido ao transporte de petróleo em escala individual ao longo da baía e, também, pelo resíduo de óleos a partir de embarcações motorizadas.
(Adaptado de: www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0370-44672006000300003&lng=&nrm=iso&tlng=)

A Baía de Todos os Santos, diferentemente do que se alardeia por aí, ainda é um corpo d’água que reúne os maiores atributos ambientais ainda preservados do litoral brasileiro onde se implantaram aglomerados urbanos.

Seja pela sua história, que deixou marcas profundas na cultura brasileira e em particular na baiana, seja pela exuberância de paisagem em seus recantos ou pelo potencial pesqueiro que existe em suas porções estuarinas. A Baía, longe de ser uma área profundamente degradada, ainda é um depositário de recursos para o desenvolvimento dessa parte especial da Região Metropolitana de Salvador.

Obviamente que existem focos pontuais de risco ambiental, como na sua parte norte e nordeste, onde se encontram o complexo petrolífero e o complexo industrial do CIA e também nas franjas que tangenciam as cidades e vilarejos.

O que é preciso na Baía de Todos os Santos é um grande Projeto Metropolitano, corajoso, que considere todos esses aspectos da cultura e do ambiente e que reanime a economia regional sem a inconseqüência de apostar no turismo de elite como única solução salvadora.

Quem gerencia uma APA, tem acesso a todas as informações, sejam elas de caráter ecológico, econômico, social ou cultural. A sociedade precisa estar também a par dessas informações para poder opinar sobre os planos e programas – e questioná-los – porventura oriundos desse Plano de Manejo.
(www.ondazul.org.br/downloads/arquivos/37.pdf)

Assim a Rádio Metrópole anunciou o acidente:

Navio derrama óleo na Baía de Todos os Santos. Equipe do Centro de Recursos Ambientais vai avaliar os estragos provocados pelo acidente

Fonte : Redação - 16/03/2008 20:50:00

Um navio da Noruega que está atracado no Porto de Aratu derramou óleo na Baía de Todos os Santos. De acordo com a Capitania dos Portos cerca de cinco mil litros de óleo lubrificante caíram no mar.O acidente aconteceu neste sábado por voltas das 21 horas.Na manhã desta segunda-feira, uma equipe do Centro de Recursos Ambientais faz um sobrevôo pela área afetada para avaliar os estragos provocados pelo acidente na região.(www.radiometropole.com.br/interna_texto.php?local=1&id=VGxSQmQwMVVSVEZPVkUwOQ==)




A Aratu on line informa ações mitigadoras tomadas até o momento:

Navio derrama óleo na Baía de Todos os Santos
16/03/2008 - 13h30m

Um navio da Noruega que está atracado no Porto de Aratu está derramando óleo no mar. Segundo informações do coordenador do Porto, Alberto Freitas, já foram colocados 300 metros de barreiras para conter o óleo. As causas do vazamento ainda serão investigadas.

(www.aratuonline.com.br/noticia/6523.html)

Alvaro Meirelles

Biólogo (CRBio 59.479/05-D) e Gestor Ambiental

http://www.grupomeirelles.com/